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06 março, 2018

Mais um policial é preso por suspeita de participação em quadrilha de contrabandistas no Maranhão

Patrick Sérgio se entregou nesta segunda-feira (5). Um relatório da Polícia explica o motivo de cada uma das prisões e aponta que o delegado Thiago Bardal foi preso por ter sido flagrado no local da operação, se mostrado apreensivo e entrado em contradições ao ser questionado. 


O soldado da Polícia Militar (PM) Patrick Sérgio Moraes Martins se entregou à Polícia nesta segunda-feira (5) por suspeita de participar da quadrilha de contrabandistas que, segundo as investigações, tinha a participação de policiais militares e um delegado da polícia civil

A quadrilha foi descoberta em uma operação que encontrou em fevereiro deste ano um porto clandestino localizado no Arraial, no Quebra Pote, em São Luís. O local serviria para descarregamento de armas, bebidas alcoólicas e cigarros contrabandeados que posteriormente foram achados em dois galpões.

Galpão com quatro vezes mais produtos contrabandeados foi encontrado no bairro Matinha (Foto: Reprodução/TV Mirante)

Patrick chegou acompanhado de um advogado na Superintendência de Combate à Corrupção (SECCOR), prestou depoimento e foi levado preso para o Comando Geral da Polícia Militar. Até o momento quinze pessoas foram presas e um sargento continua foragido. 

Dentre as 15 prisões, oito são policiais. Os depoimentos que eles prestaram devem ajudar os investigadores a montarem o quebra-cabeça e definir o papel que cada um deles tinha dentro da organização criminosa. 

Um deles é o major Luciano Rangel, que era subcomandante de um batalhão em São Luís. Rogério Souza Garcia – que já foi vice-prefeito de São Mateus – também está preso. O advogado Ricardo Jefferson Muniz Bello foi preso no dia 02 de março e tentou sair da prisão por meio de um Habeas Corpus que foi negado pelo desembargador Cléber Costa Carvalho. 

Advogado Ricardo Jefferson prestou depoimento na tarde do dia 27 de fevereiro, em São Luís (Foto: Reprodução/TV Mirante)

No dia 3 de março, o coronel Reinaldo Elias Francalanci se entregou, prestou depoimento e saiu preso. No mesmo dia foram presos o soldado Gleydson da Silva e o tenente Aroud João Padilha Martins. O delegado Thiago Bardal – que foi superintendente de investigações criminais – também teve a prisão preventiva decretada e se entregou no dia 02 de março.

Coronel Francalanci se apresentou à polícia no dia 3 de março, em São Luís (Foto: Reprodução/TV Mirante)

Motivo das prisões 

No pedido de prisão dos investigados a polícia diz que o major Luciano Rangel estava na estrada que dá acesso ao porto clandestino com outra pessoa. Ele tinha armamento sem registro e munição, além de binóculos para uso noturno. 

Já o delegado Thiago Bardal foi flagrado com um carro particular e, segundo a polícia, se mostrou apreensivo quanto às razões de estar naquele local tão ermo. Ele teria entrado em contradições e apresentou pelo menos três versões. 

Segundo o relatório, Bardal estava na estrada que somente dá acesso à propriedade onde se situa o porto clandestino. O documento também diz que uma viatura da Superintendência de Investigações Criminais já havia sido flagrada em situação suspeita em 2017. 

Thiago Bardal foi preso no dia 2 de março, em São Luís (Foto: Reprodução/TV Mirante)

Um cabo e um soldado disseram em depoimento que estavam apurando uma denúncia de carga ilegal na região do Tibiri e que, durante uma campana, foram abordados pelo tenente Padilha - preso nesta segunda-feira (5) - que perguntou o que os PMs estavam fazendo ali e que teria os alertado de que tinha um coronel "no meio do lance” e também um delegado da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (SEIC). 

O relatório também diz que o coronel Elias Francalanci chegou a ordenar, por telefone, a liberação de uma carga suspeita em dezembro do ano passado e que o major Rangel e outros cinco policiais usavam uma viatura ostensiva da PM para fazer escolta dos caminhões que transportavam cargas ilegais. 

Segundo a denúncia, o esquema rendia ao major Luciano Rangel a quantia mensal de 50 mil reais e que os policiais subordinados a ele recebiam entre seis e dez mil. Os pagamentos, segundo a investigação, ocorriam dentro do batalhão. 

O advogado do delegado Thiago Bardal informou que o cliente dele está sofrendo perseguição política. Já o advogado de Rogério Sousa Garcia disse que o cliente dele tem usado o direito constitucional de se manter calado. O coronel Elias Francalanci disse, antes de ser preso, que não sabia do que estava sendo acusado. O G1 tentou contato com a defesa dos outros presos e aguarda resposta. 






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