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25 fevereiro, 2018

Não existe gratidão na política. Flávio Dino segue o pragmatismo



Crédito: Felipe Klamt

Política não é campo de gratidão. E em poucos casos, raras exceções, existem amizades, afinal o que prevalece é a conveniência política. Exemplo disto é Zé Reinaldo. No sábado (24), o deputado federal evidenciou mais uma vez, a certeza dessas afirmações iniciais. Fundamental para a vitória de Jackson Lago (governador) e Flávio Dino (deputado federal), em 2006, o ex-governador foi descartado e agora vai enfrentar a fúria de ser “um não aliado comunista”.

Curiosamente, a pré-campanha de Zé Reinaldo Tavares foi intitulada “Encontro da Gratidão” e reuniu diversos prefeitos, deputados, vereadores e lideranças políticas em favor da pré-candidatura ao Senado. A proposta era uma clara alusão ao que representou o ex-governador, mas a gratidão não tocou o governador Flávio Dino, que preferiu o pragmatismo político.

É necessário lembrar um pouco a história recente para entender como funciona a ingratidão na política, aqui em especial no Maranhão. Zé Reinaldo Tavares fora eleito governador do Maranhão em 2002 com o apoio de Roseana Sarney. Derrotou Jackson Lago, que quatro anos mais tarde o ajudou a se eleger chefe do executivo estadual, após o rompimento com o Grupo Sarney.

Tendo como vice, um fiel aliado ao Grupo Sarney, Jura Filho, Zé Reinaldo Tavares sabia que não poderia deixar o cargo para disputar a vaga de senador em 2006, mas sim ir até o final para garantir a vitória da oposição, a famosa Frente de Libertação do Maranhão, naquela época representada por Jackson Lago. Na oportunidade, surgiu um nome ainda desconhecido do meio político, o ex-juiz Flávio Dino, que com o apoio do governador da época acabou se elegendo deputado federal.

Apesar de ser o responsável por construir toda a engenharia que garantiu a vitória em 2006, Zé Reinaldo nunca teve o fascínio pela idolatria ao seu nome e nem ambição de erguer uma nova oligarquia, assim como ocorreu com Vitorino Freire que superou Benedito Leite e José Sarney que findou o vitorinismo.

Tanto que o principal líder da oposição seguiu sendo Jackson Lago até sua morte (2011). Em 2010, Zé Reinaldo Tavares montou uma nova estratégia para oposição voltar a vencer nas urnas, após tomado o poder no âmbito jurídico. Eis que o ex-governador alavanca o deputado federal Flávio Dino para condição de candidato a governador. E a ideia inicial era de Zé Reinaldo e Jackson Lago na disputa ao Senado contra dois pesos-pesados Edison Lobão e João Alberto.

Jackson e demais personagens da oposição não aceitaram a proposta, e a oposição acabou se dividindo. Zé Reinaldo aponta o dedo de Sarney nessa situação e o final da história todo mundo já conhece. A oposição saiu derrotada.

Em 2014, sem nenhum apego a projetos pessoais, Zé Reinaldo Tavares optou mais uma vez pela coletividade e pelo grupo que fazia parte. Abdicou da candidatura de senador em favor de Roberto Rocha para garantir a vitória de Flávio Dino, afinal o PSB estaria garantido na chapa e impediria o surgimento de uma terceira candidatura ao governo que poderia pôr fim ao caráter plebiscitário da eleição: Sarney vs Anti-Sarney.

Logo após a vitória, Flávio Dino e alguns membros do grupo comunista diziam a todos os cantos que na próxima eleição, os senadores seriam Zé Reinaldo e mais um. O tempo passou e nomes foram surgindo. Em fevereiro de 2018, o ex-governador entendeu que ele virou um copinho descartável foi usado e jogado fora, e os comunistas apenas o enganaram.

A intenção não é criar um Zé Reinaldo “bom moço”, afinal ele também praticou a ingratidão contra o Grupo Sarney. Ministro do Transporte (1986-1990) no governo José Sarney, deputado federal (1991-1994) eleito com apoio de José Sarney, secretário de Infraestrutura do governo Roseana Sarney (1995-1998), vice-governador de Roseana Sarney (1998-2002) e finalmente governador (2002-2006). Todos cargos viabilizados por um homem, que ele poderia chamar de pai, José Sarney.

Mas faz-se necessário lembrar que sem Zé Reinaldo Tavares não teria existido Jackson Lago governador e muito menos Flávio Dino deputado federal em 2006, e seria muito mais difícil imaginar o comunista como governador em 2014.

Zé Reinaldo Tavares não foi o primeiro nome ao Senado de Flávio e muito menos o primeiro também a ser descartado. Ele será só mais a se juntar a Márcio Jardim que foi um exemplo recente de ingratidão e tantos outros que também estão nessa fila da ingratidão.

A primeira opção de Flávio Dino faz-se por aqueles que vivem da chantagem política, a “famosa faca no pescoço”. Mas como bem dito recentemente: “quem planta brisa, colhe tempestade”.

Para Zé Reinaldo Tavares, em respeito aos seus 79 anos, vai lhe restar à honradez de disputar o Senado por outro grupo buscando a gratidão que não existe na política e provar a Flávio Dino que ele fez opção errada ou será o próprio que vai viver a experiência de que ingratidão se paga com ingratidão, mesmo que esta tenha sido praticada por grupos diferentes.




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