Gravações telefônicas demonstram que Rosângela Curado cobrava propina de fornecedores da SES

novembro 29, 2017

Em diálogo gravado pela Polícia Federal, um dos diretores do Instituto de Ciência e Natureza acusa Rosângela de cobrar 10% de propina de fornecedores da Secretaria de Saúde do Maranhão.


Como parte do inquérito que apura o desvio de 18 milhões de reais no setor de saúde no Maranhão, a Polícia Federal gravou conversas com autorização da justiça entre José Inácio Guará, um dos diretores do Instituto de Ciência e Natureza, e um homem identificado como "Joe".

Na conversa realizada em março de 2015, José Guará acusou a ex- subsecretária de saúde do Maranhão, Rosângela Curado, de cobrar 10% por cento de propina dos fornecedores da Secretaria de Saúde. O diálogo é descrito da seguinte forma:

  • Guará: Ela tá tomando dez por cento de todo mundo, aí, ela já se queimou já.

  • Joe: Ah, ela já está no esquema?

  • Guará: Já. Ela tá tomando de... Já foi pra são paulo, arrumou duas empresas lá, já saíram em bloco, ela tá tirando dez por cento de todo mundo, tá tomando dinheiro de quem quer acertar atrasado. Tá um inferno.

Em maio de 2015, a Polícia Federal fez novas gravações. Desta vez Rosângela Curado conversava com o seu assessor na época, Luiz Marques Barbosa, que está na prisão e é apontado como um dos líderes da organização. Veja a conversa:

  • Luís Marques: Quem me ligou agora foi o Ricardo (da Lavebras), viu?

  • Rosângela: É outro vagabundo, não quer "ajudar ninguém"...

  • Luís Marques: Risos

  • Rosângela: Arrocha ele

A Polícia Federal também rastreou o caminho da propina. No dia 17 de abril de 2015, Rosângela Curado recebeu, segundo a PF, um crédito no valor de 20 mil reais da empresa DV Informática LTDA. Segundo as investigações, Rosângela recebeu vantagem indevida da empresa RD Tecnologia e da clínica HN Duailibe Gomes LTDA utilizando o nome do ex-marido, Paulo Silva Guilherme Curado, para ocultar a origem do dinheiro. Também foi encontrado um depósito de 34 mil reais considerado suspeito na conta de Rosângela Curado, no dia 15 de julho de 2015. O dinheiro foi transferido da conta de Paulo Guilherme para Rosângela Curado.

Além do desvio dos recursos federais que deveriam ter sido empregados na saúde do Maranhão, a Polícia Federal descobriu que 424 funcionários fantasmas recebiam salário sem trabalho. Segundo a PF, o caso era conhecido pelo atual secretário de saúde, Carlos Lula, que já se colocou à disposição pra colaborar com as investigações.

Como colaborador das operações, o Ministério Público Federal tenta fazer com que os recursos desviados da saúde sejam devolvidos aos hospitais. Para o o procurador da república, Galtiênio da Cruz Paulino, o bloqueio dos bens poderia ajudar a fazer o dinheiro voltar a ser utilizado devidamente.

“O bloqueio desses bens, assim como outros que vierem a ser levantados no futuro, é no intuito de, no futuro, com o findar da ação penal e apuração do dano, venham a ser utilizados para o ressarcimento do dano", declarou o procurador.

O outro lado

A Secretaria de Estado da Saúde disse que cabe a justiça a decisão sobre os fatos mencionados e que o secretário Carlos Lula não é investigado no processo. A Secretaria também acrescentou que o fim do procedimento tido como ilícito foi em 2015, com a chegada de Carlos Lula à pasta. Também foi realizado contato com Rosângela Curado e com as empresas citadas, mas não houve resposta.


Gravações telefônicas apresentam Rosângela
 Curado cobrando propina





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