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Ex-médico esquartejador Farah é achado morto vestido de mulher

Ele teria de cumprir 14 anos de prisão por crime ocorrido em 2003


O ex-médico Farah Jorge Farah
Hélvio Romero/Estadão Conteúdo

O ex-médico Farah Jorge Farah, 68 anos, foi encontrado morto dentro de sua casa, na Vila Mariana, momentos antes de ser preso nesta sexta-feira (22). A polícia havia ido ao local pela manhã para prendê-lo, após a Justiça determinar que ele começasse a cumprir a pena por matar e exquartejar a amante em 2003.

Farah estava em seu quarto, com cortes nas veias femorais (veias da região do quadril). Um bisturi, que teria sido usado por ele para provocar o ferimento, foi encontrado pela polícia.

De acordo com o delegado Oswaldo Gonçalves, do departamento de capturas da Polícia Civil, o ex-médico vestia roupas femininas — um top e calça legging — e aparentava estar com seios postiços. O aparelho de som estava ligado. Tocava uma música classificada por Gonçalves como "fúnebre".

A perícia vai analisar a circunstância da morte.

Na quinta-feira, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) havia determinado a imediata execução provisória da pena do ex-médico, condenado em júri popular a 16 anos de reclusão pelo crime de homicídio duplamente qualificado, pena que foi reduzida em apelação para 14 anos e oito meses.

Cirurgião plástico, Farah confessou ter matado e esquartejado sua amante e paciente Maria do Carmo Alves, 46 anos, em 24 de janeiro de 2003. O crime ocorreu no consultório em que trabalhava. Após colocar o corpo no portamalas de seus carro, o ex-médico comunicou a polícia, dizendo-se arrependido.

Para dificultar a identificação do corpo, Farah havia removido a pele da face, das mãos e dos pés da vítima, guardando os restos mortais em sacos plásticos no porta-malas de seu veículo. Após o crime, o então médico chamou a polícia.

Em 2004, Farah foi formalmente acusado e condenado em primeira instância por homicídio duplamente qualificado: motivo torpe, por não dar chance de defesa à vítima e ocultação e destruição de cadáver. Em 2007, por 4 votos a 1, a Segunda Grupo do Supremo Tribunal Federal concedeu um habeas corpuspara libertá-lo.

Com o diploma cassado pelo Conselho Federal de Medicina em 2006, Farah voltou a estudar e, em 2010, passou no vestibular na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

Pedido de prisão

O Ministério Público de São Paulo pediu ao STJ que o médico voltasse para a cadeia. O STJ começou a analisar o pedido em agosto, juntamente com o recurso especial do réu. O relator do caso, ministro Nefi Cordeiro, votou, ainda no mês passado, pela imediata prisão do ex-médico. Houve um pedido de vista do ministro Sebastião Reis Júnior que protelou a conclusão do julgamento.

Na sessão de quinta-feira (21), o julgamento foi concluído com o colegiado acolhendo o pedido do Ministério Público e rejeitando o recurso especial por unanimidade.


Fonte: R7.com





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