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Flávio Dino e a nova Lei do Cão


A recém-aprovada MP 230/2017 - que concede reajuste apenas às gratificações dos professores, e não aos vencimentos - já foi batizada pelos profissionais da categoria de "Nova Lei do Cão".

A denominação vem bem a calhar e remete, de imediato, ao ano de 2007, quando o então governador Jackson Lago (PDT) pressionou sua base aliada na Assembleia Legislativa a aprovar a Lei do Cão original.

O dispositivo proposto pelo pedetista - em forma de lei (justiça seja feita), não de Medida Provisória, como em 2017 - transformava salários de servidores, em especial os dos professores, em subsídios e retirava vários direitos do funcionalismo.

Na ocasião, a proposta teve apoio do PCdoB do hoje governador Flávio Dino (PCdoB).

Mas não apenas isso.

Segundo denunciou em 2010 o então candidato a governador Saulo Arcangeli (PSTU), Dino não apenas pertencia ao partido que apoiou a Lei do Cão original, como também trabalhou pela sua manutenção nos tribunais superiores.

Arcangeli revelou em um dos seus programas eleitorais que o comunista chegou a ir ao Supremo Tribunal Federal (STF), fazer defender a Lei do Cão, então questionada por sindicatos numa Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin)

Atualmente no comando do Executivo, Dino mantém o mesmo ímpeto contra o trabalhador.

Ode à hipocrisia

Chega a ser até curiosa a hipocrisia - alguns chamam apenas de incoerência - do governador e de alguns dos seus fieis seguidores.

O mesmo Flávio Dino que edita uma MP mutilando o Estatuto do Magistério - que é lei e determina, em seu artigo 32, que na data base o Poder Executivo deve proceder “aos ajustes dos valores do vencimento do Subgrupo Magistério da Educação Básica” - é também um professor.

Esse mesmo Flávio Dino construiu sua carreira no mundo jurídico, ainda, como defensor de sindicatos de trabalhadores.

Mas não só ele peca pela hipocrisia.

Dois dos mais criticados deputados na sessão de ontem também têm fortes ligações os trabalhadores em geral, e os professores em particular.

O deputado Marco Aurélio (PCdoB) é também professor.

E o deputado Bira do Pindaré (PSB) é bancário, com forte atuação no movimento sindical.

Isso tudo, no entanto, era antes de eles chegarem ao poder.

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