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Câmara de Pedreiras vota por reajuste de gestores e população se revolta

Salário de prefeito, vice-prefeito e vereadores vai aumentar cerca de 40%. "Gestor tem que ser bem remunerado para não desviar", diz autor da lei.

No município de Pedreiras, a 245 km de São Luís, uma decisão tem deixado a população revoltada. Uma sessão na câmara votou pelo reajuste salarial de prefeito, vice-prefeito e vereadores. A sessão não foi tumultuada, mas também pouca gente sabia o motivo da votação. E em alguns minutos o salário de vereador passou de 4 para 6 mil reais, e o de prefeito foi de 18 para 22 mil reais.

A revolta se inicia do fato de que grande parte da população vive com menos de um salário mínimo. Já os 13 vereadores do município têm renda cinco vezes maior, e acabam de engordar ainda mais essa renda: um aumento de 40%.

Os vereadores tiveram ainda um aumento no valor das diárias. A lei é de autoria da Comissão de Orçamento da casa. Otacílio Tavares do PDT é um dos que compõem a comissão. “Hoje a constituição diz que o município de Pedreiras, como tem 39 mil habitantes, pode ser até 30% do salário do deputado. Se a gente for fazer por essa via de regra, pelos cálculos, o salário poderia chegar até R$ 8.125”, explicou Tavares.

Eu entendo que o chefe do Poder Executivo precisa ser bem remunerado para que ele não tenha nenhum motivo para desviar o dinheiro público"
Otacílio Tavares, autor da lei do reajuste
Ao ser questionado se não seria imoral um aumento desses diante dos problemas e da crise econômica por que passa o país, o vereador respondeu que não vê imoralidade, pois cada um tem a sua função e responsabilidade para com o cargo que foi eleito. “Eu entendo que o chefe do Poder Executivo precisa ser bem remunerado para que ele não tenha nenhum motivo para desviar o dinheiro público. O salário tem que ser digno e justo para a função que ele vai exercer”, declarou.

Enquanto os vereadores estão preocupados com o salário deles, Seu Antônio da Silva corre em busca de emprego. O pescador em uma casa humilde com a mulher e seis filhos no bairro matadouro na periferia da cidade. “O que eu ganho por mês não dá um salário mínimo. Essa decisão aí dos vereadores é errada. Tinha que deixar do jeito que está”, contou o pescador.
O pescador Antônio sustenta a eposa e mais seis filhos com menos de um salário (Foto: Reprodução/TV Mirante)
Se dependesse da população de Pedreiras, os vereadores não teriam um aumento salarial tão grande assim. “Não temos melhorias na infraestrutura, não temos melhorias na educação, na saúde. A gente fica insatisfeita, mas o que a gente pode fazer?”, resignou-se uma moradora.

A professora Ana Roberta Alves não concorda com a decisão do legislativo. Ela disse que a cidade tem outras prioridades. “O que a gente ouve da gestão, do prefeito e dos secretários é que não tem recursos. Quer dizer que para os servidores não tem e para os prefeitos, secretários e vereadores tem recursos assim, facilmente?” questionou.

Em nota, a prefeitura de Pedreiras se manifestou sobre a polêmica, dizendo que o aumento de salários e diárias dos agentes políticos está previsto na Constituição Federal e na lei orgânica do município. A nota da prefeitura diz ainda que o projeto de reajuste dos salários e diárias foi aprovado dentro da legalidade e legitimidade.

Quanto à contestação de que o aumento é injusto, considerando a crise econômica no país, e em comparação aos salários dos demais servidores municipais, a prefeitura de Pedreiras afirmou que o reajuste dos subsídios é fixado de quatro em quatro anos. Por fim, a prefeitura estranhou a polêmica sobre o assunto, porque reajustes como o aprovado na Câmara Municipal estão ocorrendo em cidades de todo o país, não somente em Pedreiras.
População não vê melhorias no município que justifiquem o reajuste salarial proposto (Foto: Reprodução/TV Mirante)

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