MARANHÃO NEWS

10 maio, 2016

Jornalistas são agredidos em ato contra impeachment em Vitória

Três profissionais da imprensa registraram ocorrência, segundo a Sesp. Um agressor foi identificado e outro preso em flagrante.


Pelo menos três jornalistas foram agredidos durante a manifestação contra o impeachment no Centro de Vitória, na manhã desta terça-feira (10), segundo a Secretaria de Segurança Pública do estado (Sesp). O vídeo acima mostra o momento em que um homem agride os jornalistas.

Ainda de acordo com a Sesp, o homem, que deu socos e pontapés nos profissionais, foi identificado e será levado para a delegacia.

Um outro manifestante, ligado ao Sindicato dos Portuários, é suspeito de tentar jogar um rojão de escala 4 em um dos jornalistas. Ele foi preso em flagrante e levado para o Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de Vitória. Camilo de Lelis Santos Cardoso pagou fiança de R$ 5 mil e foi liberado.

Entre os agredidos, estão dois repórteres da Tribuna Geilson Ferreira e Sérgio Porto e André Falcão da TV Gazeta. Os três registraram ocorrência na delegacia.

O vídeo mostra o momento em que os policiais detêm o manifestante que tentou jogar a bomba no repórter da TV Gazeta, que conseguiu desviar.


Sindijornalistas
O Sindicato dos Jornalistas do estado (Sindijornalistas) repudiou a truculência dos manifestantes. "Esses manifestantes que confundem posição das empresas de comunicação com o trabalho legítimo dos trabalhadores jornalistas não merecem estar nas ruas em defesa da democracia. É inaceitável impedir a liberdade de imprensa, um dos pilares da garantia de um país livre e democrático", disse em nota.

A diretoria do Sindijornalistas também informou que vai pedir a apuração dos fatos e vai processar os responsáveis pelas agressões. "Todos têm direito de manifestação, mas de forma pacifica e responsável", completou a nota.

ABERT e ANJ
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) repudiam os atos de violência e intimidação contra os repórteres André Falcão, da TV Gazeta, Geílson Ferreira, da TV Tribuna, e Suelen Araújo, da TV Vitória, durante cobertura de manifestação em favor da presidente Dilma Rousseff, nesta terça-feira (10), em Vitória.

Além de ameaças com bombas de gás lacrimogêneo, as equipes de TV foram agredidas com chutes e socos por manifestantes que participavam do protesto.

A ABERT e a ANJ consideram inaceitável a repetição de ataques a jornalistas no exercício da profissão nas várias cidades brasileiras. Tentar impedir o acesso à informação, direito fundamental previsto na Constituição Brasileira, é violar a liberdade de expressão, instrumento indispensável para a democracia.

A ABERT e a ANJ pedem às autoridades do estado do Espírito Santo a apuração rigorosa dos fatos e a punição dos responsáveis.

Frente Brasil Popular
A Frente Brasil Popular também condenou as agressões contra jornalistas que cobriram o ato pró-Dilma no Centro de Vitória. O movimento usou as redes sociais para divulgar um posicionamento sobre a confusão.

"A Frente Brasil Popular e os movimentos que a integram têm compromisso intransigente com a democracia. E a liberdade de imprensa, aqui garantida a liberdade de ação para trabalhadores da imprensa, é parte indispensável à democracia. A FBP repudia veementemente qualquer tipo de agressão a profissionais da imprensa que cumprem com o seu dever de informar à sociedade sobre os fatos que são de interesse da mesma", informou a CUT-ES.

Secretaria Estadual de Segurança Pública
O secretário de Segurança Pública do Estado, André Garcia, também se pronunciou nas redes sociais e lamentou as agressões dos manifestantes à imprensa capixaba na manhã desta terça-feira.

"Lamento os atos de vandalismo e de desrespeito ao trabalho da imprensa capixaba presenciados no inicio da manhã desta terça-feira, em um protesto intempestivo realizado por movimento sindicais. Além de impedir os capixabas de chegarem aos seus locais de trabalho, mostraram total descontrole ao agredir vários jornalistas. Buscamos o diálogo durante todo o momento, mas tivemos que usar a força policial para liberar o trânsito. Por conta disso, para as próximas manifestações, agiremos preventivamente e não vamos permitir que o trânsito seja interrompido e a população prejudicada. Caso haja intransigência por quem insiste em prejudicar o direito de ir e vir da população, não exitaremos em garantir a lei e a ordem", compartilhou.
Protesto em Vitória (Foto: Geraldo Nascimento/ A Gazeta)
Protesto
Protestos contra o impeachment da presidente Dilma Roussef fecharam duas vias do Espírito Santo, na manhã desta terça-feira (10). As manifestações aconteceram no Centro de Vitória, em frente ao Palácio Anchieta, e no km 7,9, da BR-262, em Viana.

Os atos são chamados "contra o golpismo, o retrocesso e a retirada de direitos". Na BR-262, o protesto começou às 4h30 e terminou às 8h12. Já no Centro de Vitória começou às 6h e terminou por volta das 8h40.

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