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Governador do Ceará responsabiliza comando de greve por rebeliões

Camilo afirmou que as visitas aos presos foram impedidas pelos grevistas.  Segundo o governador, existem provas e o caso será investigado.

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O governador do Ceará, Camilo Santana, responsabilizou o comando da greve dos agentes penitenciários pelos recentes episódios de rebeliões, conflitos e mortes ocorridos nos presídios durante o fim semana. Segundo Camilo, os agentes impediram as visitas aos presos, o que causou revolta entre os detentos. A afirmação foi feita nesta terça-feira (24) durante cerimônia do aniversário de 181 anos da Polícia Militar no Palácio da Abolição, sede do Governo do Ceará. (veja o vídeo com entrevista acima)

Conforme Camilo Santana, existem provas indicando que o comando da greve impediu as visitas aos presos. O governador ressaltou que o caso está sendo investigado. O G1 tentou entrar em contato com o sindicato para comentar as afirmações do governador, mas as ligações não foram atendidas.

"Houve responsabilidade do comando de greve para impedir as visitas, tem áudio, está gravado. É tanto que nos presídios que não houve problema de visita ocorreu tudo normal. Quando os presos ficaram sabendo que estavam proibindo as visitas de entrar, isso causou um pânico e aí começou a rebelião. Isso vai ser apurado, é obrigação do Estado", relatou.

O governador acrescentou que as tropas da Força Nacional que virão ao Ceará auxiliarão na segurança para recuperar as unidades prisionais que foram destruídas. A expectativa é que o reforço chegue a Fortaleza ainda nesta semana.

"Para garantir a segurança dos que estão presos e para fazer a recuperação física é preciso de contingente. Foi por essa necessidade que eu solicitei auxílio da Força Nacional, porque não posso comprometer todos os policiais no serviço lá [presídios]", ressaltou.

Um comboio com mais de 20 viaturas saiu da base de treinamentos da Força, no Gama (DF), com destino à capital cearense. O grupo chega por terra porque, de acordo com o Ministério da Justiça, os militares trabalham com apoio das viaturas.

Nome do presidiárioCrimes
Luan Brito da Silva, 21 anosLatrocínio
Paulo César de Oliveira, 46 anosTráfico
Francisco Clenildo Felipe Costa, 40 anosFurto
Daniel Henrique Maciel dos Santos, 26 anosHomicídio e roubo
Diego Martins da Silva, 31 anosRoubo
Roberto Bruno Agostinho da Silva, 23 anosHomicídio
Rian Pereira Paz, 33 anosTráfico de drogas
Daniel de Sousa Oliveira, 22 anosHomicídio e roubo
O governador afirmou também que deve concluir nos próximos meses a Casa de Privação Provisória de Liberdade V, que deve amenizar a lotação nas unidades. "Estamos acelerando a conclusão da CPPL V, que permitir transmitir mais 1.200 homens para lá, estamos construindo também um presídio de semiliberdade, vamos já transferir alguns presos para lá."

Em nota ao G1, a diretoria do Sindicato dos Agentes e Servidores do Sistema Penitenciário do Estado do Ceará (Sindasp/Ce) lamentou o posicionamento do governador Camilo Santana e considera que o ocorrido nas unidades prisionais do Estado não pode ser atribuído a greve deflagrada pelos agentes, visto que o ocorrido já havia sido previsto pelo conselho penitenciário há semanas dada às condiçõesdos presídios do Estado.

Ainda sobre o contexto, a diretoria sindical afirma que o momento é de unir forças e não tentarresponsabilizar agentes penitenciários que já trabalham com número defasado e vulneráveis.

Rebeliões e mortes 
Até esta terça-feira (24), foram confirmadas, pela Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus), 18 mortes durante as rebeliões ocorridas no fim de semana. Já o juiz corregedor dos presídios, César Belmino, informou que o número de óbitos pode chegar a 26.

Ao todo, oito detentos mortos já foram identificados. Outros dez corpos serão submetidos a exames de DNA na Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). (veja na tabela ao lado o nome dos oito presos já identificados).

A crise nos presídios cearenses chegou ao quarto dia consecutivo. Após diversas rebeliões registradas entre o sábado e a segunda-feira, a situação ainda é de instabilidade nesta terça-feira (24).

A Sejus comunicou que o Departamento de Arquitetura e Engenharia avalia os danos e faz encaminhamentos para os reparos necessários. Não houve interrupção no fornecimento de água nem comida e a pasta enviou assistentes sociais para a entrada dos complexos e nos prédios para oferecer apoio aos familiares dos presos.

Os agentes penitenciários também retornaram ao trabalho no sábado, após cerca de 12h de paralisação. A categoria aceitou a proposta de reajuste na Gratificação por Atividades e Riscos (Gaer), que era de 60%, para 100%. O reajuste será pago de forma escalonada: 10% em fevereiro de 2017, 10% em janeiro de 2018 e 20% em novembro de 2018.
Presos incendiaram colchões da CPPL, em Itaitinga (Foto: Arquivo Pessoal)
Em nota, a Secretaria da Justiça também divulgou que foi realizada a transferência emergencial de internos para o Centro de Execução Penal e Integração Social, nova unidade prisional do Complexo Itaitinga II. O local está com 95% das obras finalizadas.

Segundo a pasta, a medida teve como objetivo resguardar a integridade física desses internos, visto que eles foram ameaçados por outros internos.

Fonte: G1 CE



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