Segurança impede cliente negra de entrar em supermercado em BH

janeiro 06, 2016

Funcionário afirmou que ela seria "esse tipo de gente que rouba aqui todos os dias”

Supermercado pediu desculpas e afirmou que vai "tomar
providências"; jornalista registrou boletim de ocorrência.
Etiene Martins / Facebook / Reprodução
A jornalista e publicitária Etiene Martins, de 32 anos, só queria comprar uma lâmpada no centro de Belo Horizonte na segunda-feira (4). Ao tentar entrar em um supermercado, na rua da Bahia, foi impedida pelo segurança porque carregava uma mochila.

Ela perguntou onde era a entrada e segurança terceirizado gritou que a bolsa deveria ser colocada no guarda-volumes. Como viu outros clientes entrando com mochilas, passou pela roleta e foi ameaçada com um cassetete. 

O funcionário ainda gritou que ela era "esse tipo de gente que rouba aqui todos os dias”.

Revoltada com o preconceito por ser negra, a cliente publicou um desabafo no Facebook que já recebeu 3.000 curtidas e quase 700 compartilhamentos. 

— Hoje descobri que sou o tipo de gente que rouba o Dia Supermercado! (...) Perguntei ao segurança onde era a entrada, já que de um lado havia uma roleta e do outro os caixas. O segurança, que se chama Nivaldo, olhou pra mim com seus olhos azuis de cima abaixo e gritou agressivamente que era para eu colocar a minha bolsa no guarda volume. O supermercado parou, funcionários e clientes voltaram a atenção para nós.

Mesmo com a perplexidade dos outros clientes, ninguém se aproximou e o segurança ainda gritou com a jornalista e mostrou o cassetete. 

— Rodei a roleta e o segurança tirou o cassetete da cintura para me intimidar. Mesmo com medo, perguntei a ele se ele achava que eu iria roubar a loja. Ele olhou pra mim e falou bem alto: “é esse tipo de gente que rouba aqui todos os dias”.

Ao denunciar a agressão a uma supervisora do supermercado, a jornalista ouviu que o segurança já tinha discriminado outros clientes. 

— Ela me disse que isso já havia ocorrido outras vezes e que ela só estava esperando outra pessoa reclamar para pedir a substituição do mesmo. Aí não aguentei. Solução da história: fomos parar na delegacia eu e ela para fazer um B.O. de constrangimento, calúnia e ameaça. Tudo isso levou três horas e meia.

Com a repercussão do caso, o perfil oficial do supemercado Dia postou, na página da cliente, uma mensagem em que pede "desculpas por todo o transtorno", afirma que "não compactua com quaisquer posturas inadequadas dos nossos colaboradores ou parceiros" e que a administração está "averiguando o ocorrido para tomar as providências necessárias". 

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