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Secretário de segurança admite evolução do crime na capital do MA

Jeffersson Portela falou durante entrevista sobre a mudança de
comando da Polícia Militar (Foto: Zeca Soares/G1)
O secretário de Segurança Pública do Maranhão, delegado Jefferson Portela, falou na manhã desta quinta-feira, em entrevista a Rádio Mirante AM, em São Luís (MA), abordou a mudança de comando da Polícia Militar, a polêmica nomeação do tenente-coronel Miguel Neto após confusão no Batalhão em Bacabal e os casos de assaltos a bancos no interior do Maranhão.

O secretário explicou a saída do coronel Marco Antônio Alves para o coronel José Gomes Pereira assumir o Comando Geral da Polícia Militar. Para Jefferson Portela, o Maranhão precisa de uma força policial muito forte.

“Considerando a evolução da criminalidade na Região Metropolitana, o coronel Alves avançou em aspectos administrativos, mas a realidade é algo que se impõe. Hoje precisamos de um comando com a força operativa policial muito forte. O coronel Alves é muito importante para o sistema de segurança do Maranhão, mas no nosso planejamento para 2016 alguns perfis são muito importantes em cada ponto. Esta fase foi iniciada na Polícia Civil com 18 modificações e agora na Polícia Militar com a chegada do Coronel Pereira, que foi formado pelo Exército Brasileiro no curso de operações de guerra na selva e era o comandante de todas as forças especializadas da Polícia Militar”, disse.

O secretário admitiu que as mudanças são necessárias por conta do aumento da violência no Maranhão por considerar que houve uma “evolução da criminalidade na Região Metropolitana com grupos organizados e a ação violenta de assaltantes de banco no interior do estado”.

Em 2015, aumentaram os números de arrombamentos a agências bancárias no Maranhão e os roubos a coletivos registrados nos quatro municípios da Região Metropolitana de São Luís (Capital, São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar).

Foram 60 casos de arrombamentos a agências bancárias no Maranhão, 15 a mais do que o registrado em 2014. Do total, as ações aconteceram em 52 dos 217 municípios do Estado. Já o número de roubo a coletivos chegou a marca de 657 casos, segundo levantamento do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Maranhão (Sttrema).

Promoção do Tenente-Coronel
A polêmica sobre a nomeação do tenente-coronel Miguel Neto para cargo de chefe do Estado Maior da Polícia Militar após a confusão no 15º Batalhão da PM, em Bacabal, também foi um tema comentado pelo secretário.

Para Jefferson Portela, a nomeação de Miguel Neto, menos de uma semana depois de toda esta confusão, foi precoce e sem avaliação preliminar.

“Durante a eclosão de qualquer evento traumático, a medida é evitar o trauma ser sanado para tomar outras intervenções e ele assumiu o comando do Estado Maior da Polícia Militar. E eu entendo que não era o caso. Tinha que se aguardar sim a avaliação preliminar. Temos o julgamento do mérito no final, mas o administrador tem que fazer sim uma avaliação e parar para tomar a melhor decisão e eu entendo que não foi a melhor. O coronel Pereira assume na segunda-feira, às 18h, e tratará sobre este tema até pelo fato de ter um procedimento instaurado”.


Explosão de agências bancárias

Só este ano sete agências bancárias foram assaltadas no interior do Maranhão. Grupos criminosos com armamento de grosso calibre foram às cidades com efetivo policial reduzido e até o momento não foram presos. Ele considera que esse é um problema nacional.

“É um problema nacional, mas nem me preocupa. Nós temos uma violência extrema no estado da Bahia, na fronteira do Piauí com o lado de lá do Estado. Estive reunido com o comandante da Polícia Militar do Piauí e com o secretário de Segurança do Piauí e eles narraram essa vinda de lá para cá. Eles já estão preocupados de fazer a contenção do meio do Estado para lá. É muita explosão de banco descendo para cá”, disse.

Portela admitiu ainda que os bandidos aproveitam o baixo efetivo policial nos municípios do interior do estado. “A criminalidade tem sua inteligência e ninguém vai cometer um ataque suicida enfrentando uma força policial maior. Então eles fazem um levantamento antes das ações”, explicou.

O secretário revelou que partes das investigações indicam a participação de moradores das cidades atacadas nos assaltos. “Tem um criminoso que para as pessoas da cidade se passa por ‘gente de bem’, que tem uma fazenda ou um sítio. A quadrilha se hospeda nesse sítio e passa até três dias e depois da ação criminosa eles voltam a se hospedar no mesmo local. Temos que identificar esses sujeitos que tem fazenda, hotel, sítio dando essa guarida”.

Para evitar ações deste tipo, Portela anunciou investimentos como a distribuição de fuzis para cada policial no interior. “Nós temos Grupos de Operações Especiais (GOE) em cidades do interior, mas faltam a eles os instrumentos para uma pronta resposta até a chegada das unidades maiores (reforço policial). Onde houver uma unidade treinada para operações especiais, por menor que seja a cidade, vamos equipar cada policial com um fuzil. Se forem dez homens serão dez fuzis. Não podemos ter enfrentamentos com homens usando pistolas contra bandidos usando fuzis”.

Trabalho militar sem nomeação
As informações de pessoas que estariam trabalhando tanto na Polícia Militar quanto no Corpo de Bombeiros sem a devida nomeação foram totalmente negadas. “Isso é um absurdo. Ninguém vai entrar em exercício sem ser nomeado, pois ninguém pode usurpar a função pública. A pessoa pode ser concursado e aprovado, mas tem que ser nomeado e empossado. Quem fizer um negócio desses pode ser até preso e quem deixar fazer, também”.

Fonte: G1 MA



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