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Semus confirma que Socorrão II negou atendimento a idoso pai de PM

Sargento reformado atirou em direção a computadores da recepção da unidade para que paciente recebesse atendimento

DESESPERO E FÚRIAPM aposentado efetuou disparos de arma de fogo dentro do Socorrão II, em direção a computadores que ficam na recepção da unidade de urgência e emergência de São Luís. 
Foto: JOSIMAR ALMEIDA
A Secretaria Municipal de Saúde (Semus) confirmou, por meio de nota divulgada neste sábado 26, que o Hospital de Urgência e Emergência Dr. Clementino Moura, o Socorrão 2, em São Luís, negou atendimento ao pai do sargento reformado da Polícia Militar do Maranhão, Francisco das Chagas Pereira Franco, de 51 anos, preso em flagrante depois de efetuar disparos de arma de fogo na recepção do hospital, na sexta-feira 26, para que o atendimento fosse realizado, como de fato ocorreu somente após o incidente.

Como os disparos foram feitos na direção de computadores que ficam na recepção da unidade, ninguém foi ferido pelos tiros.

Na nota, a Semus tentou se esquivar do descaso de saúde pública e contra o idoso, alegando que em vez de negativa, houve apenas uma sugestão ao PM - o que em tese e na prática já é uma negativa - para que levasse o seu pai, Erigidis Amorim, que apresentava luxação no fêmur causada por uma queda, para uma outra unidade de emergência, de média complexidade.

Ainda no documento, embora afirme que a sugestão para que a família procurasse atendimento em unidade de urgência foi feita por não haver "risco de morte" ao idoso, a Semus informa que não somente realizou o atendimento, como ainda providenciou a transferência do paciente para o Hospital Geral, que é de maior complexidade que o Socorrão II.

"A Secretaria Municipal de Saúde (Semus) informa que em relação ao incidente ocorrido na tarde da última sexta-feira (25), a direção do Socorrão II esclarece que não foi negado atendimento ao paciente Erigirdes Amorim. Ele chegou ao hospital apresentando luxação no fêmur em decorrência de queda, e por não se tratar de caso envolvendo risco de morte, foi sugerido à família procurar atendimento em outra unidade de urgência, de média complexidade. O filho do referido paciente se alterou e efetuou disparos nas dependências do hospital, causando danos materiais. A direção informa que foi feito o atendimento do paciente e providenciada sua transferência para o Hospital Geral", diz a nota.
Processo de classificação

Além das incongruências da nota, o protocolo de Acolhimento com Classificação de Risco (ACCR) do Sistema Único de Saúde (SUS), instrumento de humanização ao atendimento ao cidadão para garantir a este um melhor acesso aos serviços de urgência e emergência, desmente a Semus e a direção do Socorrão II, e pode levar seus titulares a responderem civil e criminalmente (na hipótese de haver uma evolução negativa para esse paciente) - inclusive o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT).

Pelo ACCR, que é dividido em cores e foi introduzido pela Portaria 2048 do Ministério da Saúde, "nenhum paciente poderá ser dispensado sem ser atendido", ou seja, sem ser acolhido, classificado e só então, se necessário, ser encaminhado de forma responsável a uma unidade de saúde de referência. Uma publicação do próprio Ministério da Saúde para os atendimentos no Socorrão I, Socorrão II e Hospital da Criança explica o funcionamento do protocolo.

No caso do pai do PM, o idoso deveria ter sido classificado pela triagem como prioridade I, de cor verde, que é quando o paciente não corre o risco de morte, mas deve ser obrigatoriamente encaminhado para a consulta médica, em no máximo 1 hora, e reavaliado periodicamente, para só então ser liberado após o atendimento.

Longe de ser apenas uma ação faroeste de um policial, como tem sido discutido em conversas de grupos de WhatsApp e comentários nas redes, o caso em questão, que ganhou grande repercussão até mesmo fora da capital, é grave e expôs de forma clara a inoperância do sistema público municipal de saúde, em especial do Socorrão II.

Fonte: Atual7.com

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