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16 dezembro, 2015

Policiais reclamam das condições de trabalho e insegurança em trailer

Posto, localizado na Praça Deodoro, não tem banheiro e as câmeras de monitoramento não funcionam; equipamento não oferece segurança aos policiais por falta de blindagem; PMs não se sentem bem no mototrailer

Instalado na Praça Deodoro, trailer não tem banheiro, nem blindagem (Foto: Flora Dolores / O Estado)

Neste mês de dezembro, a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP) anunciou a instalação de um posto avançado da Polícia Militar (PM) na Praça Deodoro, para auxiliar nas rondas de fim de ano, quando o movimento torna­se maior por causa das compras. Só que, a grande novidade, apesar de realmente melhorar as condições de segurança em um dos logradouros mais movimentados da cidade, acrescentou um drama à vida dos policiais que têm de prestar serviço no local, em turnos de até 12 horas por dia. 

Para começar, o posto, um mototrailer, é anunciado, segundo os adesivos colados a sua estrutura, como uma “central de videomonitoramento”, mas as câmeras, que deveriam ficar ligadas 24 horas realizando o monitoramento da região, estão desligadas, e nem mesmo os fios dos equipamentos foram conectados, estando expostos na rua. Os policiais, que prestam serviço no local, dizem que eles nem mesmo sabem se o serviço vai funcionar algum dia. 

Ainda com relação à segurança, os PMs, relatam que o trailer não oferece nenhum tipo de garantia a qualquer pessoas que esteja dentro dele. O equipamento não é blindado, e os policiais não têm onde se refugiar, em caso de um possível ataque. O que não é de todo descartado, visto que em novembro de 2013 um policial foi morto dentro de um desses equipamentos, no bairro Vila Nova. “Aquele trailer não oferece segurança alguma. O ser humano que ali se encontra está vulnerável a ataques de marginais. Não há onde se abrigar em possível confronto com bandidos, tendo em vista que a estrutura não oferece blindagem, sendo facilmente perfurada”, afirmou um policial, que não quer ser identificado. 

Sem condições humanas 
O trailer ainda não oferece condições mínimas de trabalho aos policiais. Não existe banheiro e a água, segundo os policiais, só teria chegado ontem. Os turnos de trabalho são de 12 horas. Ou seja, durante todo esse tempo, os PMs que estão prestando serviço no posto avançado têm de, literalmente, “se segurar”, pois não podem fazer suas necessidades. Como afirmou um soldado ouvido por O Estado durante esta semana, eles correm o risco de ficar doentes. “Olha, um policial que trabalha dois, três dias aqui pode não voltar depois, porque fica doente. Ficar 12 horas sem ir ao banheiro não é saudável”, argumentou. 

Para alguns, pelo menos os que trabalham durante o dia, resta pedir ajuda aos comerciantes ou tentar a sorte no único banheiro público na Praça Deodoro, que está em condições insalubres. “Isso é o que mais indigna a gente. Nós nos esforçamos para trabalhar e garantir a segurança do cidadão, mas as condições de trabalho não são oferecidas. E o comando tem conhecimento disso. Afinal, eles mandaram instalar o trailer”, comentou outro soldado
Câmeras de monitoramento não estão funcionando (Foto: Flora Dolores / O Estado)
Entre os PMs, os sentimentos são de indignação e impotência. Tanto que, quando um policial tem conhecimento de que está escalado para trabalhar no trailer, o que ele mais quer é, se possível, trocar o plantão, muitas vezes a pedido da família. “Ao comunicar minha família sobre isso [trabalhar no trailer], eles pediram que não o fizesse. Mas não depende somente da minha vontade”, afirmou um policial. 

Rondas 
O policiamento no centro de São Luís foi intensificado, como ocorre todo o fim de ano, por causa do aumento de transeuntes e consumidores, principalmente na Rua Grande. A operação, batizada de “Natal Seguro”, tem o objetivo de prevenir e evitar ações criminosas como assaltos e furtos. 

De acordo com o major Renato Abrantes, comandante do 9º Batalhão de Policiamento Militar, cerca de 100 policiais fazem a segurança do perímetro compreendido entre a Rua Grande, as praças do Pantheon e Deodoro e ainda as ruas do Sol, da Paz, de Santana e adjacências. 

O Estado solicitou explicações à Secretaria de Segurança Pública do Estado, por meio da Secretaria de Comunicação, das denúncias feitas pelos policiais. O pedido foi feito por volta das 15h de ontem, mas até o fechamento desta página não houve resposta. 

SAIBA MAIS 
PM MORTO EM TRAILER 
Em 9 de novembro de 2013, por volta das 19h30, seis homens armados, ocupando dois veículos, metralharam o trailer da Policia Militar que ficava no bairro da Vila Nova, na área Itaqui­Bacanga. No momento do crime, o soldado PM Francinaldo Sousa Pereira, 41 anos, estava dentro do equipamento, realizando a vigia, e foi morto com aproximadamente 19 tiros de armas 380 e 9 mm. No mesmo dia, outro trailer da PM, no Bairro de Fátima, também foi atacado. Nessa ação, o sargento Marco Antonio Correa Cutrim foi baleado na barriga.