MARANHÃO NEWS

14 dezembro, 2015

No Piauí delegado defende a imprensa e diz: 'não darei ouvido a fuxicos políticos'

Jarbas Lima critica futricas e diz que há situações de real demanda na região dos cerrados


Responsável pelo maior município em termos de área, e por uma das maiores regionais do estado, também em termo de área, com crimes pesados acontecendo, o delegado titular da Delegacia Regional de Uruçuí, Jarbas Lima, disse ao 180- que esteve na cidade última sexta-feira e sábado, colhendo informações sobre os mais variados assuntos - que não vai deixar os “fuxicos políticos” atrapalharem o seu trabalho.

Consciente do papel da imprensa na divulgação de informações de interesse público, o delegado se referia ao Boletim de Ocorrência que tem como noticiante a secretária de Administração do governo de Uruçuí, Clélia Marisco, contra o Portal Vitrine, só porque este cobrou explicações para um valor em específico constante da folha de pagamento da prefeitura.

O ato foi, nitidamente, para intimidar o responsável pelo Portal RV, Rodrigo Quixabeira. O delegado Jarbas Lima, entretanto, que é nitidamente sensível ao papel da imprensa, disse que tem casos de real importância para atuar, que são estupro, tráfico de drogas, disputa de terras e outros mais, e não pode estar dando ouvidos a assuntos menores.

DONO DE PORTAL FOI INTIMADO SEM CONHECIMENTO DO DELEGADO
Rodrigo Quixabeira chegou a ser intimado a depor, mas o ato de convocar o dono do Portal RV para se apresentar à delegacia, acabou por, supostamente, revelar o DNA de agentes da Prefeitura que estão emprestados ao órgão do estado.

Lá na delegacia, comandada por Jarbas Lima, existem quatro servidores cedidos pela prefeitura, dois concursados da prefeitura e dois somente comissionados, também pagos pelo governo municipal. E um desses servidores mandou a intimação para o dono do portal de notícias.

“Ele fez a intimação e enviou, mas esse servidor não foi autorizado a fazer essa intimação sem o meu conhecimento”, disse Jarbas Lima.

PODE PARAR O MUNDO... ALGUÉM TEM QUE DESCER...
Ora, como é que uma secretária de governo municipal, como Clélia Marisco, se dirige a uma Delegacia de Polícia, já abarrotada por demandas, para ‘denunciar’ um comunicador, no pleno exercício da liberdade de comunicação, que engloba a de imprensa, só porque ele ousou cobrar explicações sobre recursos públicos que não constavam de forma mais detalhada em uma folha de pagamento da prefeitura de Uruçuí?

Uma secretária dessas não deve saber realmente o que é a Lei de Acesso à Informação (LAI), ou a que determina a necessidade de Portais da Transparência em tempo real. Aliás, Uruçuí não possui Portal da Transparência que informa os seus gastos on-line. E devia, por lei.

E toda a população do município deveria, na verdade, começar a questionar o Ministério Público sobre o descumprimento dessa lei. Nesse caso o Ministério Público Federal, que já acionou mais de 120 prefeituras no estado por falta de transparência.

A ABERRAÇÃO
Diz o Boletim de Ocorrência que Clelia Marisco “compareceu à esta Delegacia de Polícia Civil para comunicar que os senhores Agenor Sousa e Rodrigo Quixabeira escreveram e publicaram uma matéria no Portal RV de cunho difamatório e calunioso, na qual expõe uma lista do TCE com pagamentos realizados a funcionários municipais (...)”.

Ora, ora, que crime há nisso?

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